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Impressionantes
e sagrados números

por Edimar Blazina | Sexta-feira, 03 de outubro de 2008, às 16h51

O Brasil é o maior produtor de bíblias do mundo. São oito milhões de livros sagrados confeccionados e vendidos anualmente no país. Incentivados pelo crescimento de igrejas evangélicas e da renovação carismática da igreja católica, os fabricantes buscam inovar lançando bíblias cada vez mais próximas da realidade do leitor.

Um livro geralmente de capa preta, escrito há milhares de anos, de autor desconhecido e venerado por cristãos espalhados pelo mundo todo, essa é a Bíblia. Composta por 66 livros, para os evangélicos, e 73 para os católicos, ela relata a história de Deus e a missão de seu filho na Terra. Contudo, deixando para trás o lado religioso, a bíblia é uma obra de números consideráveis.

Os números

Com preços que variam de R$ 2,50 a R$ 175, o livro atinge no Brasil oito milhões de exemplares vendidos a cada ano. Segundo a maior produtora brasileira, a Sociedade Bíblica do Brasil - SBB, somente no Rio Grande do Sul, de janeiro a setembro deste ano, foram comercializados mais de 110 mil exemplares. "No último final de semana, para apenas uma pessoa, vendi duzentas" informa Martinho, 22 anos, vendedor em uma livraria especializada em Porto Alegre. Números como estes fazem com que país seja o número um no ranking mundial de produção de bíblias.

Atingindo todos os grupos

Edição para mulheres, versões em braile, com temática jovem, cheia de ilustrações, com linguagem atual e até em MP3. Esses são alguns dos lançamentos do que tem sido considerada a novidade bíblica nos últimos anos: a tematização. De acordo com o responsável pela SBB em Porto Alegre, Acyr Gerone Júnior, 28, a missão da instituição é levar o texto sagrado a todos os grupos, "Nós temos, por exemplo, uma bíblia de capa rosa, deixando-a mais atraente para uma adolescente. Assim ela se aproxima e lê a palavra de Deus. Essa é nossa missão", informa Gerone justificando a diversificação nos lançamentos da editora.

Quem consome

Ter muitas bíblias é comum no meio religioso. Grande parte delas acompanha um estudo direcionado a um grupo específico de pessoas, além do texto original, ou preenchem alguma necessidade do leitor. Adão Rodrigues, 64, estava satisfeito com sua bíblia, mas, por estar com dificuldades de enxergar, comprou uma com letra maior, feita especialmente para esse público, "Quero outras, mas com a letra grande também", ressalta. Eva Conceição, 66, tem três e pretende comprar mais uma, "Essa que tenho é simples, boa para ir à igreja, mas quero uma para estudos em casa. É mais completa", informa Conceição que agora quer a bíblia edição para mulheres.

Muita venda pouca propaganda

Diferente do que se poderia esperar para justificar números tão altos de vendas, é incomum uma propaganda ou grandes ações de marketing promovendo o produto. Por outro lado, de acordo com o IBGE, os evangélicos são atualmente mais de 24 milhões de brasileiros, além dos 138 milhões de católicos, e esses são grandes consumidores de bíblias. Miriam Machado, 35, secretária da Assembléia de Deus em Porto Alegre, afirma que, por orientação da direção da igreja, todos os fiéis devem ter uma bíblia, "Até as crianças são incentivadas a ter", revela. Machado acrescenta ainda que ter uma ou mais bíblias é opção de cada um, independente do modelo, "O importante é ter uma", conclui.

De acordo com o apurado, não há uma única explicação para a venda considerável destes livros, talvez, entender esse fenômeno, seja como entender a própria bíblia, uma questão de fé.

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