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Convergência midiática

por Lisete Ghiggi | Terça-feira, 18 de novembro de 2008, às 14h28

Papel do jornalista: "entender a situação e ir além do repórter cidadão, aperfeiçoando as funções que lhe restam", explica Pellanda.
(Foto: Rogério Soares)

"Vivemos na era da convergência midiática e de novas funções". Assim caracterizou os tempos atuais, o palestrante da Semana Acadêmica da Comunicação do IPA, Eduardo Pellanda, professor da Famecos (PUCRS), ao falar sobre o tema nesta quinta-feira, dia 13, no auditório da antiga biblioteca.

Os dados divulgados pelo professor mostram que a aproximação do virtual ao real é cada vez maior, e que este movimento tem ocorrido de forma muito rápida. Nos últimos anos, os brasileiros habilitaram mais de 140 mil celulares, sem esquecer que estes aparelhos que facilitam a comunicação se tornaram populares há menos de 10 anos, e vamos entrar em 2009 com celulares gravando áudio e vídeo em alta definição. O ano de 2008 também será histórico com a chegada de avanços tecnológicos ao Brasil. Além da TV digital, os brasileiros já andam com o Google disponível em seus celulares, desde que a telefonia móvel conectou-se à Internet. Assim, "ter um google no bolso é muito poderoso", ressalta Pellanda. Mas ter um chip com GPS no celular, é outra novidade que estará disponível em 2009, e que, além de localizar o automóvel, ajudará na segurança e facilitará a locomoção ao permitir que as pessoas localizem com facilidade um endereço sem muito esforço. E esta possibilidade, ressalta o palestrante, retira da Internet a característica de "desterritorializada". Esse recurso tecnológico dará maior segurança aos portadores.

A mobilidade da comunicação não é apenas uma questão tecnológica e envolve também as ciências sociais aplicadas, como forma de encontrar soluções e de aprofundar as questões que envolvem a transformação midiática que a mobilidade vem proporcionando.

A convergência uniu o áudio e o vídeo ao texto e à imagem. Assim, na era da internet, a TV, o rádio, o celular e os computadores interagem com a maior facilidade e, por isso, a "convergência" é a palavra do momento, e tem uma implicação direta nas funções do jornalista, que deixa de ser apenas o profissional com a função de ir a um local para efetuar a cobertura: fotografar, captar as informações, produzir e editar a sua matéria. Hoje quando um fato é notícia, atrai curiosos que, com suas câmeras digitais adicionadas aos celulares, registram o fato com detalhes e enviam todas as informações para as redações. "O cidadão pode virar repórter", destaca Pellanda. Mas ao mesmo tempo questiona: "o que sobrou para o jornalista?". E responde explicando que caberá ao profissional da imprensa "entender a situação e ir além do repórter cidadão, aperfeiçoando as funções que lhe restam". Também enfatizou a necessidade de aprofundar os estudos sobre as atribuições do profissional nesta nova era de transformações tecnológicas e comportamentais.

A convergência midiática, conceituada pelo palestrante como "um conjunto de mudanças culturais, além de tecnológicas", abre um leque de possibilidades, e uma delas é transformar mídias de massa em personalizadas, como acontece com os jornais, revistas e materiais publicitários de veículos impressos, bem como on-line destinados a segmentos de público. Com a exigência de se adequar à linguagem dos diferentes segmentos, a nova tendência demanda muita pesquisa e coleta de dados sobre o público alvo. Para possibilitar a personalização de conteúdos impressos, Pellanda destaca um software desenvolvido pela HP.

O E-book também foi tema da palestra. O professor da Famecos veio ao IPA munido de um arsenal tecnológico e apresentou à platéia as principais opções na área da comunicação, sendo o E-book uma delas. Para ele esta é uma alternativa que deverá ganhar espaço no mercado por ser ecologicamente correta, ao impedir o corte de árvores, e ao permitir que nele sejam armazenados livros de acordo com a preferência. O E-book, além da mobilidade, tem a vantagem de ser alimentado por uma bateria de baixo consumo.

Eduaro pellanda encerrou a palestra respondendo a questionamentos, dentre eles, qual o melhor equipamento para um jornalista dar conta do seu trabalho. Ele descreveu como ideal um celular com 16 Gb, câmera, áudio, TV e internet. Custos? Respondeu que variam de acordo com a operadora, mas que podem ser adquiridos, em média, por R$ 1.200.

A exposição do professor da PUC mostrou, para a platéia atenta, a importância dos avanços tecnológicos, bem como a necessidade de atualização constante dos profissionais da comunicação, com objetivo de agregar as novas tecnologias à área e contribuir para a evolução das mídias e suas respectivas interfaces.

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