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Entrevista coletiva exercita
alunos de Jornalismo do IPA

por Max Antunes | Sexta-feira, 01 de junho de 2007, às 17h40

Os entrevistados fizeram doação de livros à Biblioteca do IPA. (Foto: Beto Rodrigues)

No dia 24 de maio, às 21 horas, a turma de Jornalismo do primeiro semestre noturno (JON11) do Centro Universitário Metodista IPA, recebeu, em sala de aula, dois ilustres convidados. Coordenada pela jornalista e professora de Técnicas de Entrevista e Reportagem, Maria Cristina Viñas Gomes, a turma realizou um exercício prático de entrevista coletiva, com o jornalista e publicitário, Luiz Carlos Cotta e com o jornalista, radialista e escritor, Sérgio Roberto Dillenburg. Antes disso, os convidados fizeram uma doação de livros para a Biblioteca do IPA, com a presença da professora Vinãs, do auxiliar da biblioteca, Luciano Hausen, da aluna e líder da turma JON11, Anna Paula Medeiros e do aluno Luis Bustamante, que, inclusive, foi o mediador do convite feito aos entrevistados e da coletiva.

A professora Vinãs iniciou a coletiva apresentando os entrevistados e ressaltando a importância dos alunos receberem um pouco da larga experiência dos mesmos. O tema da entrevista era a história do rádio e do rádio-jornalismo no Rio Grande do Sul. Os entrevistados fizeram uma breve explanação inicial, contando um pouco sobre os seus respectivos currículos e das suas experiências profissionais, para depois ser aberta a rodada de perguntas, feitas por 15 alunos, previamente selecionados em aula.

Cotta foi o primeiro a falar. Explicou que, na sua vida profissional, teve mais dedicação, especificamente, na área da publicidade. Atuou na MPM Propaganda (que foi considerada a maior agência de publicidade do Brasil e uma das maiores do mundo) desde a sua fundação, em 1957, até a sua venda, no início dos anos 90, ocupando, nos últimos anos, o cargo de Diretor Superintendente. Em 1980, Cotta foi eleito o publicitário do ano. Mas, apesar de sua atuação predominante na publicidade, sempre esteve próximo do rádio, em especial, por sua participação na criação e na diretoria da Central de Rádios do Interior, conforme seu relato.

O jornalista e publicitário, formado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), fez um resgate da história do rádio no Brasil, destacando que a primeira emissora foi fundada por Roquette Pinto e possuía um caráter educacional. Falou, também, das primeiras emissoras no Rio Grande do Sul, explicando que a primeira foi a rádio Pelotense, surgida há 82 anos e, ainda, comentou sobre as dificuldades das primeiras transmissões e do sucesso das rádios novelas. "Artistas de rádios de novelas não podiam andar na Rua da Praia que eram agarrados", disse. Cotta é organizador de uma coletânea de livros sobre a história do rádio no Rio Grande do Sul, com seis fascículos: 1) Na onda do progresso - o papel do rádio no desenvolvimento do Rio Grande do Sul; 2) Ídolos das rádio-novelas - os artistas gaúchos que fizeram a nossa rádio-novela; 3) Os jornalistas - os profissionais do rádio-jornalismo gaúcho; 4) A música que embalou o rádio - artistas como Lupicínio Rodrigues, Elis Regina e Túlio Piva; 5) Do reclame ao Marketing - a propaganda na história do rádio no Rio Grande do Sul; 6) De Landell ao infinito - a participação do padre Landell de Moura na história do rádio. Todos esses fascículos foram doados, por Cotta, à Biblioteca do IPA.

Logo depois, Dillenburg iniciou a sua explanação, contando que a sua carreira começou no rádio. Desde jovem, "sentiu" que era inclinado a isso. "Lia o jornal em voz alta", disse. Lembrou, também, que foi no colégio, graças a um professor, onde teve a sua primeira oportunidade de trabalhar no rádio, apresentando um programa de música clássica, em Santa Cruz do Sul. "Vi, posteriormente, que aquela função, apesar de prazerosa, não tinha uma resposta financeira, então me tornei bancário". Mas, sempre, mesmo como bancário e em outras atividades que exerceu, esteve ligado ao rádio. Mudou-se para Porto Alegre, trabalhando em várias emissoras. Quando estava com mais de 30 anos de idade, estabilizado na profissão de bancário com a função de relações públicas, resolveu ir atrás "daquilo" que realmente queria, ingressando na faculdade de Jornalismo da Universidade Católica do Rio Grande do Sul (UFRGS). Dillenburg lembrou, que no seu primeiro dia de aula, um professor disse: "Se querem ser jornalistas, tudo bem. Agora, se pensam em enriquecer, tirem isso da cabeça". Mas, segundo ele, o mesmo professor afirmou que existiam caminhos. "Eu gostaria de transmitir a vocês, que estão começando, o que me transmitiram a muitos anos atrás: - Vocês devem se aproximar das pessoas que fazem comunicação". De acordo com Dillenburg, é importante fazer amizades com profissionais da área, "entrar no mundo deles", pois as dificuldades existem em qualquer profissão e aqueles que pretendem ser jornalistas, além de serem ousados, precisam ler bastante. "Não precisa ser um intelectual, mas sim uma pessoa atualizada", disse. Ele trabalhou em jornais como a Gazeta do Sul, de Santa Cruz do Sul, Correio do Povo, Folha da Tarde e foi colaborador de muitos outros. Trabalhou, também, na TV Educativa e nas rádios Santa Cruz, Farroupilha, Cultura e na rádio da Universidade (UFRGS), onde, atualmente, produz e apresenta o programa Reencontro com a Universidade.

Dillenburg foi organizador do Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa, coordenador do curso de Radialismo da Universidade de Passo Fundo (UPF), ex-professor de comunicação da Unisinos e, como escritor, teve dezenas de livros publicados na área da comunicação, tais como: Os anos dourados do rádio em Porto Alegre, Barão de Itararé - meio século de humorismo, Quatro publicações marcantes no jornalismo riograndense e Grandes nomes da comunicação - Carlos Von Koseritz. Todas essas publicações foram doadas por Dillenburg para a Biblioteca do Centro Universitário Metodista IPA.

Faltou tempo para tantas perguntas

A rodada de perguntas dos alunos rendeu diálogos sobre a coleção de fascículos da história do rádio no Rio Grande do Sul, sobre o trabalho de Cotta na agência MPM e na Central de Rádios do Interior, sobre o papel do rádio no mercado presente e futuro, de como a internet modificou o papel das mídias e veículos de comunicação, das diferenças do jornalismo de hoje para o de antigamente, entre outros assuntos ligados aos temas.

A aluna Caroline Marques, uma das selecionadas para realizar a entrevista, disse que faltou tempo para quantidade de perguntas. "Tinha duas páginas de perguntas que gostaria de ter feito", afirmou. A líder da turma JON11, Anna Paula Medeiros, achou a iniciativa de realizar a coletiva excelente e, ressaltou, que foi fantástico absorver a experiência dos entrevistados. "Acho que esse exercício rende muito e desperta o interesse dos alunos. Gostaria que houvesse mais", afirmou.

Para o aluno Beto Rodrigues, que também fez a cobertura fotográfica da entrevista, a coletiva, organizada pela professora Vinãs, foi importante para se ter uma idéia de organização e comportamento num evento como esse. "O mais interessante é que era um exercício, mas, era verdade, ou seja, nós realmente estávamos fazendo uma entrevista coletiva com duas pessoas que tinham muita coisa para passar", afirmou o aluno, que disse, ainda, achar muito interessante que houvesse outro exercício como esse.

Bustamante, também, concorda que deveria haver outra coletiva, afirmando que foi "excelente e oportuna", destacando, inclusive, o comportamento da turma no momento da coletiva. "Pena que não tivemos mais tempo, porque todos tinham mais perguntas e todos fizeram perguntas bastante pertinentes", explicou Bustamante. Ele disse que recebeu um telefonema de Cotta no dia seguinte, parabenizando a turma e elogiando a iniciativa.

Para Cotta, estar em contato com os alunos, faz com que ele aprenda mais e se renove. "Ver tantos alunos presentes e interessados é uma gratificação muito grande. É uma troca. A gente rejuvenesce e, ao mesmo tempo, passa alguma coisa do que já vivemos na profissão que pode servir como exemplo", afirmou.

Dillenburg disse que é sempre um prazer estar em contato com os "futuros colegas". Ele, que lecionou durante 18 anos, disse, também, que aprende muito. "É uma troca de informações e isso é muito bom. Comunicação é justamente isso, é uma via dupla, em ambos os sentidos", declarou. O jornalista afirmou que gostou muito da turma e, também, das instalações do Centro Universitário Metodista IPA.

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