Professor Jaider Batista da Silva é recebido com alegria pelos alunos do IPA. + FOTOS
(Foto: Aline Torres)
Discreto, fala mansa, sorriso aberto e uma cortesia natural, o jornalista, professor e doutor, Jaider Batista da Silva, também, ex-reitor da Rede Metodista de Educação do Sul, chega ao auditório Elisabeth Lee, no campus Americano, próximo das 20 horas para iniciar a sua aula. Chove muito. Os alunos vão se acomodando nas cadeiras. Agitação. "Eu só vim na aula hoje para ver ele", confessa Caroline Moura. As cadeiras próximas ao palco são ocupadas, na grande maioria, por professores, funcionários e amigos, como o professor José Peixe. Entre trabalhadores e estudantes, a reitora Adriana Rivoire Menelli de Oliveira aguarda o início da palestra.
Assim que chega, como de costume, cumprimenta a todos e espera o momento em que a sua presença será solicitada. Ao pé do ouvido, a professora e coordenadora do curso de Jornalismo, Laura Glüer, pergunta como ele deseja ser apresentado, considerando a vastidão de seu currículo. "Como jornalista", responde. Microfone entregue é hora de ouví-lo: "Nunca houve uma geração melhor que vocês. Inteligente, que consegue ler os sinais de agora. Sou alguém que confia nos jovens para fazer a diferença. Para inaugurar tempos novos. Esse é o desafio de vocês, nos superar. Muito obrigado, por poder falar a gente muito melhor que eu". Palmas. Gritos. Sorrisos. Inicia-se a aula magna do dia 20 de março de 2007.
O tema: Globalização, Comunicação e Turismo. As suas palavras: a comunicação é a essência para a vida em sociedade. "Nós nos comunicamos porque não nos bastamos. Sabemos que outras pessoas são interessantes, queremos desvendá-las. Queremos, também, nos mostrar, revelar nossos mistérios", afirma o ex-reitor. A ânsia para conhecer novas pessoas, lugares e realidades fazem do Turismo uma procura cada vez mais constante: "Turismo dá significado a tudo. As pessoas querem conhecer o mundo e não serem escravas do lugar onde nasceram. Só as árvores têm raízes. É mais comum na juventude, o pulsar. Quando você já não está cabendo no lugar". A publicidade alimenta o desejo de desbravar o mundo e faz dele uma necessidade. Eis que surge a globalização. Palavra recente, segundo o jornalista.
Vontade de que não existam fronteiras: qualquer pessoa circulando livremente. Essa é a verdadeira globalização, segundo ele. "Mas os governantes de plantão tentam reduzir globalização a livre trânsito de mercadorias e moeda". As pessoas conhecendo outros universos seriam mais tolerantes uns com os outros. Existiriam outras leituras, por exemplo, citado pelo professor, na visão que temos dos povos orientais. "Não se faz comunicação sem estranhamento. O preconceito mata a comunicação no berço. Não podemos ter medo do diferente. Reduzir as pessoas a que somos, espelhos de nós mesmos, é a negação da comunicação. Os outros são os outros".
Como a Aldeia Global de McLuhan, citada pelo professor, o tema de sua palestra vai se entrelaçando, sendo impossível a existência de um sem o outro. Comunicação, Turismo, Publicidade e Propaganda são ciências que caminham juntas quando o assunto é a necessidade humana de explorar o diferente: Globalização. Como saída para uma comunicação qualificada: a rua. "O Brasil e o mundo não se resumem ao nosso lugar". A crise do Jornalismo, assunto permanentemente em pauta foi muito discutida na palestra. "É preciso sair da zona de conforto. O jornalista não pode se resumir a um preguiçoso publicador de releases".
Para competitividade do mercado, o sensacionalismo e o monopólio da comunicação, uma frase capaz de resumir tudo: "Não podemos deixar que nosso medo ou angústia nos paralise. Esse é o nosso desafio". Desafio vencido por Jaider Batista da Silva, agraciado naquela tarde com título Cidadão Honorário de Porto Alegre. A homenagem foi proposta pela vereadora Sofia Cavedon, do Partido dos Trabalhadores (PT), com a Associação de Educadores Populares de Porto Alegre (AEEPA).
O seu trabalho, durante quatro anos, como reitor na Rede Metodista de Educação do Sul revolucionou a instituição. Foi criado um Programa de Bolsas Integrais no Ensino Superior para os Sem-terra, deficientes, índios(as), integrantes da Brigada Militar e do Centro Ecumênico de Cultura Negra (Cecune). Além de aulas para mulheres presidiárias, excluídas da educação, no Presídio Feminino Madre Pelletier. Se não bastasse, criou o Programa de Assuntos Internacionais, que atende centenas de jovens de países como Moçambique, Timor Leste, Haiti e Angola, entre outras.
Drummond acredita em uma revolução silenciosa, sem armas, sem violência, apenas as palavras transformando a realidade. "Chega de barulho, que barulho nada resolve", escreve o poeta. Jaider Batista da Silva é seu revolucionário. Talvez seja coisa de mineiro sonhar com tempos melhores. E sonhando, o jornalista acrescenta que a vida universitária vai fazer o Brasil. E, revela na cerimônia que o homenageou, o segredo para uma vida tão harmônica, em que pensamento, palavras e ações se completam. "Nós devemos amar as pessoas e com elas caminhar até as últimas conseqüências", finaliza. |