Cerimônia de encerramento do 33º Congresso. (Foto: Heloísa Pacheco)
O 33º Congresso Estadual de Jornalismo, que ocorreu nos dias 13 e 14 de junho, em Santa Maria, ganhou cobertura jornalística especial para o Universo IPA das alunas do 3º semestre, Daiane Benso e Heloísa Pacheco, que representaram o curso de Jornalismo do Centro Universitário Metodista, do IPA.
Pela primeira vez o Congresso Estadual de Jornalistas ocorreu no interior do Rio Grande do Sul. Neste ano, o local escolhido para a realização do evento foi o município de Santa Maria e o tema foi "O Mundo do Trabalho na Comunicação - Oportunidades e Ameaças". O congresso ocorreu nos dias 13 e 14 de junho e contou com uma platéia de aproximadamente 300 pessoas.
Nos dois dias de congresso, o público presente constituído por jornalistas e estudantes de do Estado, principalmente de Bagé e São Borja, tiveram a oportunidade de debater assuntos polêmicos do dia-a-dia dos profissionais da comunicação. Entre eles a TV pública no Brasil, as perspectivas do Jornalismo no século XXI e a qualidade de ensino.
De acordo com Celso Schröeder, vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), o objetivo da edição foi discutir o mundo do trabalho e apontar saídas, tanto para as situações que ameaçam a liberdade de expressão no Brasil quanto as constantes ameaças de grupos que querem impor à sociedade um jornalismo destituído de formação acadêmica. O vice-presidente da FENAJ ressaltou que este é um momento decisivo para o Brasil e para os jornalistas.
TV Pública no Brasil
A primeira palestrante na programação do Congresso foi a presidente da TV Brasil e ex-colunista do Jornal "O Globo", Tereza Cruvinel, que falou sobre a implantação da TV Pública no Brasil.
Segundo Cruvinel, não se deve confundir a televisão pública com a de cunho comercial e muito menos como sendo de propriedade do governo. Perguntada se a TV Pública não seria uma maneira do governo se auto-promover na mídia, Cruvinel enfatiza que esta "deve ser financiada e não subordinada ao Estado". A primeira atitude que tomou ao ingressar na TV Brasil, relata a palestrante, foi inaugurar um telejornal que prioriza os conteúdos informativos, isto é, busca "se afirmar pela qualidade de seu jornalismo". O telejornal, intitulado Repórter Brasil já está presente na grade de programação de 19 Estados brasileiros. Entretanto, a TVE do Rio Grande do Sul ainda não permitiu a veiculação. Via antenas parabólicas, a Rede TV Brasil é assistida por 14 milhões de telespectadores e, por assinatura, chega a cinco milhões de domicílios. Agora a meta é aprofundar as relações dos telespectadores com os programas jornalísticos, na expectativa de que "a excelência no jornalismo consagrará a TV Brasil". De acordo com a jornalista, o próximo passo será avançar na produção de conteúdos multimídia, tendo em vista a dimensão interativa e cultural da rede pública, mas nunca perdendo o foco central: o jornalismo.
Apenas os Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal e Maranhão possuem o canal TV Brasil próprio e a justificativa é a falta de "investimento tecnológico" no país. Cruvinel destaca também que a televisão pública deveria ser financiada pelos três poderes, contudo apenas o Supremo Tribunal Federal fornece subsídios. Com a federalização, a tendência é que haja "compartilhamento de programação, aumento dos patrocínios, anúncios institucionais e o desenvolvimento de novos formatos televisivos".
Por ser pública e não veiculada em diversas cidades do país, a audiência deixa a desejar. No início, revela Tereza, chegava a 1% e agora o índice dobrou. Ela admite que o número é muito baixo, mas se sente satisfeita uma vez que "o aumento pode ser considerado produtivo".
Alcebíades Neto entre as estudantes do IPA
Jornalismo no século 21
Na palestra "Oportunidades no Mercado Jornalístico Gaúcho e da América Latina", representantes da categoria do jornalismo da América Latina e do Brasil fizeram parte da mesa. O objetivo das quase duas horas que se sucederam foi compartilhar as experiências da carreira profissional de cada um, incluindo um levantamento de fatos importantes para o jornalismo, como a disseminação da internet e a informação como um produto.
Em outras duas palestras foram abordadas os temas: "Os Direitos e as Transformações no Mundo do Trabalho" e "Qualidade do Ensino de Jornalismo e Estágio Acadêmico". Ambas apresentaram a noção de estágio e as perspectivas para quem está ingressando no mercado de trabalho da comunicação. O filósofo e professor de Economia Social e do Trabalho da Universidade de Campinas (Unicamp), José Dari Krein; e Valci Zuculoto, do Departamento de Educação e Aperfeiçoamento Profissional da FENAJ, ressaltaram a importância do estágio curricular como horas complementares para a graduação na área. Um dado apresentado pelo filósofo aponta que de 1980 a 2004, o número de estagiários aumentou progressivamente. De acordo com os dados de 1980 do CIEE, cerca de 16 mil estudantes eram contratados pelas empresas como estagiários. Em 2004, 244.335 já estavam empregados. Ele ressaltou que muitas instituições se prevalecem da mão de obra barata e eficiente, usando de maneira indevida o trabalho dos estagiários.
Daiane Benso, Carlos Dorneles e Heloísa Pacheco. (Foto: Sindicato dos Jornalistas/RS)
Jornalista da Globo entusiasma platéia
Um dos pontos altos do Congresso foi a palestra ministrada pelo diretor da Central Globo de Jornalismo, Carlos Dorneles. Gaúcho, nascido no interior do Rio Grande do Sul, Dorneles tornou-se um destaque da informação ao ingressar na Globo. Na emissora, desde 1983, foi reconhecido nacionalmente ao produzir importantes reportagens para o Jornal Nacional e Globo Repórter. Para completar seu currículo, foi correspondente em Londres e Nova Iorque. Hoje, Dorneles atua no Globo Rural. Com relação a sua postura profissional se considera comprometido com a ética e a verdade.
Nas duas horas de palestra, Dorneles discorreu sobre a atual situação da imprensa e as relações de concorrência quanto à audiência entre as grandes emissoras brasileiras, bem como a qualidade de ensino nos cursos de comunicação. Com respostas precisas, em nenhum momento fugiu das questões levantadas pela platéia. De maneira ágil e inteligente, Dorneles respondeu a um grande número de questionamentos da platéia que se sentiu confortável e entusiasmado em busca de respostas do jornalista.
Um dos temas abordados foi o ato de produzir e veicular a informação. Segundo Dorneles, a informação deve ser de interesse público, entretanto, define uma diferença: "informação pública é diferente de informação governamental e partidária". Ainda neste âmbito, o repórter ressalvou que a quantidade de informações não é, ou não deveria ser, o primordial num veículo de comunicação, "o que interessa é a qualidade", completou.
Quanto à polêmica do diploma para jornalistas, Dorneles se diz a favor da sua exigência. Para ele, os alunos saem da faculdade com muito mais informação e capacidade de reflexão. Filosofia, Sociologia ou outra disciplina nessa área colaboram para um maior entendimento dos fatos do cotidiano. Mas ressalta que o aprendizado em sala de aula está longe de ser igual ao dia-a-dia de um jornalista. "Se tudo o que aprendêssemos na faculdade fosse colocado em prática, haveria uma revolução no jornalismo", brincou.
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