14 de Julho e Porto Alegre disputaram a primeira rodada da segunda fase da Série B Gaúcha. (Foto: Soraya Kath)
Domingo, dia 29 de abril, data do primeiro jogo da final do Campeonato Gaúcho, Juventude e Grêmio jogam no estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul. Há 130 km dali, em Porto Alegre, mais especificamente, na área rural da capital, 30 km do centro, no Bairro Lami, acontecia um dos jogos da primeira rodada da segunda fase da Segundona Gaúcha. Porto Alegre e 14 de Julho, de Santana de Livramento.
Esses jogos estavam cercados de vários extremos, enquanto os dois grandes da primeira divisão buscavam a conquista do principal torneio do estado, outras duas equipes começavam mais uma batalha pela permanência na luta por um lugar entre os grandes do futebol gaúcho.
O estádio Parque Lami recebia um público entre 120 e 150 torcedores, nem a entrada livre atraiu mais pessoas. A maioria dos torcedores era da equipe da fronteira com o Uruguai. Em Caxias, a renda foi de R$ 216.350 para um público de 18.152 torcedores. Os clubes, também, tinham realidades muito distantes: O Grêmio preparando a equipe que joga contra o São Paulo pelas Oitavas de Final da Copa Libertadores, o Juventude querendo o segundo título gaúcho, contra os 34 do Grêmio.
O Porto Alegre Futebol Clube, ainda, dá os seus primeiros passos como um clube profissional. Em menos de um ano de vida, o time de Assis Moreira, irmão do atual número um do futebol mundial, Ronaldinho Gaúcho, vive, financeiramente, uma boa fase, graças às conquistas do ídolo do Barcelona. Assis explica que o clube primeiramente, visa a formação de jogadores. No futuro, o sonho é o lugar no pódio entre os grandes. "O objetivo é fazer a formação, mas para que essa formação tenha espaço e tenha uma motivação maior, a gente tem que fazer um time competitivo, para que essa formação tenha algo a que buscar e se espelhar também", relatou o presidente do Porto Alegre.
O 14 de Julho, ao contrário, comemora a venda de um de seus jogadores. O atacante Rafael Xavier foi vendido ao São José de Porto Alegre. Foram 50 mil reais que entraram nos cofres do clube, um suspiro a mais para o tradicional Leão da Fronteira, que este ano, comemora 105 anos de história. O presidente do 14, Juliano Amorim, avalia a situação financeira do Leão: "Nosso problema é o financeiro, a estrutura do nosso estádio é boa, precisava modificar algumas coisas, mas tudo depende muito do dinheiro. As dificuldades começam no setor financeiro, essa é a realidade do futebol gaúcho na segunda divisão".
Questionado sobre o porque de estar no Parque Lami e não em casa, assistindo à final com transmissão direta pela TV aberta, Cícero Souza justificou: "Eu vim aqui para prestigiar o 14. O Grêmio a gente fica sabendo depois, já é um time grande. Estou aqui dando um apoio para o 14, apesar de não ser de Livramento, sou quatorzeano por influência de um amigo".
A pequena torcida do Porto Alegre era composta de familiares e amigos do plantel. "Essa é uma situação bastante confortável, porque assim, a gente não tem a pressão dos grandes clubes de ter uma torcida que pressiona pelo resultado positivo todos os domingos. A gente pode trabalhar na formação de atletas realmente, buscar qualidade no trabalho. Logicamente que, o objetivo sempre é vencer, mas assim a gente tem uma tranqüilidade maior sofre uma pressão menor da imprensa e, assim, dia após dia, a gente vai conquistando os torcedores", argumenta o presidente da equipe porto-alegrense.
O Porto Alegre conseguiu a classificação para a segunda fase com folgas, terminando na primeira colocação da Chave Um. No entanto, o clube da região da Campanha teve que suar até a última rodada para garantir o quarto lugar na Chave Quatro.
Entre o confronto de Caxias do Sul, a emoção das partidas, também, foi muito grande. Enquanto o Juventude e o Grêmio chegavam constantemente ao gol, as equipes no Lami dificilmente conseguiam chegar a pequena área. O jogo foi equilibrado, as duas equipes chegavam pouco ao ataque, o grande problema das duas equipes era a finalização dos atacantes. "O jogo foi parelho, não vejo diferença entre os jogadores, a diferença só está na estrutura dos clubes", avaliou o espectador do jogo, Élbio Corrale.
Aos 38 minutos do primeiro tempo, ex-jogador da dupla Grenal e atual do Porto Alegre, Tavares, abre o placar. Juventude, Grêmio, Porto Alegre e 14 de Julho apresentavam severas diferenças, nas finanças, torcida, tradição e habilidades. O que os une é a luta pela realização de seus objetivos. No rádio, os jogos pareciam ser do mesmo torneio. A emoção aplicada pelos narradores ao relatar a partida era a mesma. Narravam como um jogo de Copa do Mundo. Para eles, enquanto narram, todos os jogos têm a mesma importância, todas as equipes são iguais.
|