Telmo Flor fala sobre o futuro do impresso.
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(Fotos: Betina Mello)
O curso de Jornalismo do Centro Universitário Metodista IPA realizou na última quarta-feira, 12 de novembro, palestras e oficinas durante a sua 3º Semana Acadêmica. Com o tema O futuro do Jornal Impresso e as ligações entre as editorias de política e esporte, o evento contou com a participação de profissionais da comunicação e alunos do curso.
A noite de quarta feira foi de debates no auditório da Biblioteca do IPA. Os estudantes do curso de Jornalismo da instituição puderam assistir a palestras com o diretor de Redação do Correio do Povo, Telmo Ricardo Borges Flor, e os jornalistas Ricardo Vidarte, do SBT, e Emanuel Gomes de Mattos, vencedor do prêmio ARI de reportagem política. Os palestrantes fizeram relatos sobre o quadro atual da profissão e deram dicas sobre o mercado, além de relatarem suas experiências vividas durante a carreira.
O futuro do impresso no Brasil
O evento iniciou com o diretor de Redação Telmo Borges Flor contando um pouco da sua trajetória como jornalista, a qual iniciou em 1986, na Rádio Guaíba, quando a empresa pertencia à família Caldas Jr. Depois passou para o Correio do Povo onde atuou em todas as editorias, até assumir o comando da Redação em 1992, e onde se mantém após as duas mudanças de proprietários, a família Ribeiro e agora o Grupo Record.
Flor também relatou a história de um dos jornais mais antigos do estado, o Correio do Povo. Falou sobre a compra da empresa pelo grupo Record, de São Paulo, e citou as mudanças que vêm ocorrendo no jornal, as quais, segundo ele, já estavam sendo programadas, e que a nova direção apenas permitiu que fossem implementadas.
Ao referir-se ao futuro do jornal impresso, o diretor de Redação lançou dados para uma reflexão, e um deles foi o tempo de leitura do jornal, "hoje estimado em aproximadamente nove minutos, mas que já foi de duas horas". E quanto à relação do impresso com as novas mídias, afirmou que, "mesmo com a internet dando a notícia com maior rapidez, ainda se tem o hábito de ler jornal".
Segundo Flor, "Não há como prever o futuro do impresso no Brasil e no mundo". E complementa: "Atualmente, nenhum jornal sabe como será daqui pra frente, com as novas mídias como os sites de notícias, blogs e outras ferramentas de informação disponíveis na internet".
Sem papas na língua: Ricarde Vidarte e Emanuel Gomes de Mattos em debate franco
Política X Esporte
A curiosa ligação entre as duas editorias foi o tema do debate entre Ricardo Vidarte e Emanuel Gomes de Mattos. De acordo com os jornalistas há sim um ponto em comum: a pressão sobre o profissional de comunicação. Vidarte relata um episódio que vivenciou, onde um jogador fez uma ameaça e a cumpriu: deu-lhe "uns cascudos", brincou. Emanuel complementou dizendo que a pressão no jornalismo político é mais sutil, mas igualmente forte. "Lembro de ver um político pedir que um jornalista fosse demitido e foi prontamente atendido pelo dono do jornal".
Há vida fora da RBS
Ricardo Vidarte é jornalista esportivo há muitos anos, já passou por diversas rádios do estado, atuou na TV Pampa e, hoje, está no SBT Rio Grande do Sul. "Sou sócio do Silvio Santos", diz em tom de brincadeira. Com toda esta experiência, Vidarte fala com muita propriedade, "Há vida fora da RBS. Claro que é ótimo passar por lá, mas se vocês não conseguirem, há sim como sobreviver no mercado", declara.
Aos futuros jornalistas
Para os estudantes que assistiram à palestra, os jornalistas deixam seu recado. Telmo Borges Flor diz, "É um mercado difícil, concorrido, mas pelo o que sei, não é isso que afasta um jornalista da profissão". E acrescenta, "Jornalista antes de tudo é um idealista. Ás vezes, lá na sacada da redação, me pergunto: e se eu tivesse feito outro curso? Não, não... eu estou na profissão certa", afirma.
Ricardo Vidarte diz, "Sejam seus próprios chefes", ao afirmar que hoje em dia as chances se ampliam quando se tem a própria empresa. Já para Emanuel o conselho é: "Façam um segundo curso além do jornalismo. A carreira de jornalista é muito curta". Também ressalta que a leitura é fundamental para o profissional de comunicação. "O importante é ler, ler e ler".
Essa foi a primeira edição da Semana Acadêmica, cuja organização do evento esteve sob a responsabilidade dos alunos. A coordenadora do curso, professora Dra. Mariceia Benetti, parabenizou os alunos do 7° semestre, Valkiria Shotkies e Alexandre Magno Paz por terem se empenhado na organização do evento. "Foi um projeto experimental que deu certo. A Semana Acadêmica tem, sim, que ser organizada por aluno", declarou. Além das palestras, foram oferecidas aos alunos, oficinas de rádio, foto e diagramação, pela Agência Experimental de Jornalismo do IPA. |