"Tô te explicando pra te confundir.
Tô te confundindo pra te esclarecer".
(Foto: Beto Rodrigues)
Inquietação, estranheza e muita desconfiança. São os semblantes normais que se observa durante as visitações da sexta Bienal do Mercosul. O evento que acontece de 1º de setembro a 18 de novembro de 2007, realiza-se nos espaços culturais Santander Cultural (rua Sete de Setembro, 1028, Centro), Armazéns do Cais do Porto (av. Mauá, 1050, entradas A3 e A4, no Centro) e no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs). Todos os locais em Porto Alegre. O horário de funcionamento é das 9 às 21 horas, ininterruptamente.
Nesta edição, a Bienal do Mercosul conta com 67 artistas oriundos de 23 países. Estão expostas 350 obras em seis mostras - três exposições monográficas e as coletivas Zona Franca, Três Fronteiras e Conversas.
"É muito para minha cabeça. Quem entende mesmo a obra é o artista. Mas a gente tenta entender o que ele pensou. A Bienal exercita a capacidade da criatividade", pondera a estudante de Relações Públicas da Unisinos, Yane Pelz Gossmann, 19 anos.
Projeto Pedagógico na sexta Bienal mobiliza rede de ensino
A administração da Fundação Bienal do Mercosul organizou, junto aos espaços expositivos, 20 estações pedagógicas e um espaço educativo multiuso. Essas estações são interativas e funcionam junto a determinadas obras onde os artistas estão disponíveis para explicar os seus processos criativos. O público pode deixar depoimentos e opinar sobre o resultado dessa troca. A idéia é respeitar o expectador como ser criativo e não apenas como um mero receptor passivo de informação.
Segundo a diretora de educação da sexta Bienal do Mercosul, Beatriz Johannpeter, o Projeto Pedagógico é fundamental para o envolvimento dos professores das redes pública e privada de ensino. Dessa forma, os docentes estarão preparados para passar aos alunos visitantes o espírito da exposição. Johannpeter acrescenta ainda que o Projeto tem por objetivo trabalhar a sua inserção nos currículos escolares da Rede Pública de Ensino do Rio Grande do Sul.
"...Tô te explicando pra te confundir
tô te confundindo pra te esclarecer..."
O fragmento de uma das canções do músico e compositor brasileiro Tom Zé, pode ajudar no entendimento do objetivo da Bienal. Nenhuma cultura é estática. A arte pode se expressar das mais variadas formas como exposições, instalações, performances, etc. Ela exprime as diferentes possibilidades da vida cotidiana. Além disso, o evento apresenta manifestações de artistas das mais variadas vertentes culturais.
As obras convidam os expectadores para o exercício do desprendimento e da desconstrução. O visitante deve se permitir vivenciar as diferenças entre as formas em que se entende o mundo logicamente e como se sente a respeito dele. Cada expectador traz consigo o seu histórico cultural.
O artista plástico e curador independente, Paulo Gomes, 51, ficou entusiasmado com o evento e fez algumas ressalvas: "O resultado final foi muito bom, embora não seja fácil em termos de público. Há muito rigor curatorial. Mas é boa, madura e econômica. Existe espaço para reflexões. O artista plástico argentino, Jorge Macchi, me chamou atenção porque realiza o que se propõe. Seu trabalho tem alta densidade poética".
"A organização privilegiou a circulação para os visitantes. A gente não fica se deparando com biombos que estabelecem fronteiras. Gostei muito, também, dos nichos ou pequenas salas", completou Gomes.
Após o encerramento da sexta Bienal, a Fundação apresentará em Porto alegre, uma mostra de resultados e contas à comunidade. Além disso, estão programadas exposições itinerantes com uma parcela das obras expostas. As itinerâncias deverão passar pelas capitais dos países que compõem o Mercosul. |