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Leia também o blog:

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6ª BIENAL DO MERCOSUL

° Artista do cotidiano

° Três fronteiras

° As interrogações

° A Bienal de cada um
° Cultura sem arte

Três fronteiras

Por Renato Machado | Terça-feira, 6 de novembro de 2007, às 15h48

Grupo de alunos na visita orientada.
(Foto: Renato Machado)

Passados dez anos desde a sua criação (setembro de 1997), a Bienal de Artes Visuais do Mercosul consolida-se como um dos mais importantes eventos das artes na América Latina. A Bienal coloca o Brasil como referência internacional nas artes visuais. Além de promover a integração dos países que fazem parte do Mercosul através da arte e promover a arte latino-americana como um todo, a Bienal oportuniza o acesso à cultura e à arte a milhares de pessoas. Com cinco edições realizadas em Porto Alegre, reúne 350 obras e 67 artistas de 23 países. São seis mostras - três exposições monográficas e as coletivas "Zona Franca", "Três Fronteiras" e "Conversas".

Nos armazéns do Cais do Porto estão expostas as obras pertencentes às mostras "Zona Franca", "Conversas" e "Três Fronteiras". O Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs) abriga as mostras monográficas dos artistas Francisco Matto, um dos artistas mais relevantes do modernismo latino-americano e Öyvind Fahiström, que nasceu em São Paulo (1928), sendo um dos artistas mais reconhecidos na arte internacional das décadas de 60 e 70. As suas obras se destacam por sua consciência política e solidariedade com o terceiro mundo, ao passo que expressa isso com uma boa dose de humor. O Santander Cultural é o local da exposição monográfica do artista Jorge Macchi.

Em 79 dias de exposição, a sexta Bienal do Mercosul vai estar aberta gratuitamente e diariamente das 9 às 21horas, até o dia 18 de novembro. Após o seu encerramento, a Fundação Bienal do Mercosul planeja mostrar uma parcela significativa das obras em exposições itinerantes. As obras devem passar por capitais do Mercosul, como Buenos Aires (Argentina), Montevidéu (Uruguai), Assunção (Paraguai), Santiago (Chile), e além de outras cidades do Brasil.

A professora Eveni Guterres, 45 anos, que visitou a Bienal em outras edições, diz que "é um momento para você parar e refletir um pouco. O que me surpreende é a criatividade, as coisas inusitadas nas obras. As pessoas deveriam vir". A crítica de arte, editora do Jornal Svenska Daghladet (periódico mais importante da Suécia) e editora-chefe da Revista Paletten, Sophie Allgardt, 43, argumenta que é muito interessante a colaboração dos artistas e curadores. "A arte mostra a realidade de cada cultura", conclui Allgardt, que vem ao Brasil e à Bienal pela primeira vez.

Tema da Bienal: A Terceira Margem do Rio

Na história "A terceira Margem do Rio", de João Guimarães Rosa, de 1962, um homem decide súbita e inexplicavelmente, viver em um barco no meio do rio. Rio em cujas margens ele vivera antes uma vida aparentemente normal com a sua família. O barco, inexplicavelmente, permanece estacionário neste lugar. Após certo tempo, a sua família passa a aceitar a sua presença silenciosa. Assim, ele constitui uma terceira margem para esse rio, mudando a sua ecologia cultural para sempre, através de sua presença teimosa.

Essa metáfora de uma terceira margem ressoa, em muitos níveis, como uma necessidade profundamente humana e contemporânea de ir além das oposições binárias que estruturam as nossas vidas. A terceira margem é desse modo, um espaço radicalmente independente, um espaço livre de dogmas ou imposições, um lugar de observação. A terceira margem também une os que antes eram antagonistas num único campo de discussão.

O curador geral da mostra, Gabriel Perez-Barreiro, argumenta que esta Bienal aceita e promove a diversidade e a liberdade de expressão.

Projeto Pedagógico

A Bienal do Mercosul, consolidando a sua tradicional ênfase na educação, aponta, nesta sexta edição, para uma maior integração do projeto pedagógico e para um maior contato do público com a arte contemporânea. A fim de reforçar esta abordagem, uma série de ações foi organizada, como:

O curador responsável pelo projeto pedagógico, Luis Camnitzer, figura das mais relevantes e reconhecidas no campo da arte e da educação, acredita em uma inovadora reconfiguração do programa educativo, desde as suas metas até a sua efetivação.

As mostras da Bienal

Mostra Conversas (armazéns A3 e A4 do Cais do Porto) é um modelo curatorial gerativo, que consiste em convocar nove artistas do Mercosul para estabelecer um contexto possível para a sua obra. Esses artistas foram convidados a selecionar duas obras de terceiros que, de certa forma (ideológica, formal, histórica, afetiva, etc.), apontem um curso de leitura possível. Dessa maneira formam-se novas exibições independentes, com quatro obras cada uma. Esse exercício permite ver as relações existentes entre obras no momento em que o artista pode escolher as suas próprias referências e conversações.

Mostra Zona Franca (armazéns A5 e A6) é uma exposição que aposta na liberdade de critérios. Quatro curadores escolheram até seis projetos de artistas contemporâneos. Essas escolhas foram feitas com base em um critério livre, sem limitações temáticas, de meio, formato, país, ou outro tipo. O resultado são projetos de 21 artistas, desde nomes consagrados até novas propostas.

Mostra Três Fronteiras (armazém A7) é um projeto de artistas em residência. Quatro artistas internacionais foram convidados a realizar visitas à zona da tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai para produzir novas obras. Nesta área, concentram-se, de maneira intensa, muitos dos assuntos que definem não somente o Mercosul, mas também a convivência contemporânea entre culturas em geral. Ali coexiste o tráfico legal e ilegal de mercadorias; as culturas milenares guarani com a vida urbana; o trânsito rápido de pessoas por fronteiras nacionais e o conflito entre uma natureza esplêndida e técnicas destrutivas de agricultura. Em todos os casos, os artistas apontam e pensam acerca dos fenômenos sociais, políticos e ecológicos.

Transporte gratuito

De segunda a sexta, escolas públicas de Porto Alegre e grande Porto Alegre (em um raio de 30 km da Capital) podem solicitar transporte gratuito, disponibilizado pela Fundação Bienal do Mercosul. Para atender a todas as instituições de ensino interessadas em participar, a utilização dos ônibus ficam restritas a, no máximo, três excursões por escola. Aos sábados, projetos sócio-educativos, ONGs, empresas e grupos de professores e estudantes de cidades vizinhas (em um raio de 30 a 100 km da Capital) também poderão utilizar o transporte oferecido. O transporte gratuito vai contemplar cerca de 100 mil pessoas. Para fazer a solicitação, basta ligar para o telefone (51) 3254 7549. O site da Bienal é www.bienalmercosul.art.br.

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