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Uma cultura sem arte

Por Mariana Blessmann | Sexta-feira, 6 de novembro de 2007, às 15h34

Trabalhos que só mesmo os artistas entendem. (Foto: Débora Vives)

Levo em consideração que é um evento importante economicamente e culturalmente para o Estado, que traz cultura para todos os tipos de pessoas, as que têm conhecimento e as que não têm. Mas, com essas considerações, ainda me pergunto porquê não me interessei pelo evento.

Explico. Não tenho o costume de freqüentar as edições da Bienal. Se fui em duas ou três é lucro. Nessas, lembro que me encantei com alguns trabalhos e realmente concordei com o que ela tem a oferecer. Nesta última fui pensando que se tratava de uma nova edição, melhor do que as anteriores - o que normalmente acontece - mas, para a minha surpresa, não foi.

Confesso mais uma vez que, logo depois de ir ao Cais do Porto, um lugar maravilhoso, que foi pouco explorado, não me interessei em passar pelas outras exposições como Museu de Artes do Rio Grande do Sul (Margs) e Santander Cultural. Sei que posso ter perdido bons trabalhos e teria me poupado de estar aqui fazendo uma crítica de um evento tão esperado, mas a verdade é essa.

Trabalhos coloridos, cheios de idéias, inovações, trabalhos marcantes. Era o que via nas edições anteriores. Nessa? Não vi nada além de um ou dois trabalhos que me chamaram a atenção. O resto achei pobre em cores, idéias e inovações. Trabalhos que só mesmo os artistas entendem e sem a ajuda dos guias não passariam de loucuras do século 21.

Me pergunto se nós, pessoas com algum nível de conhecimento, podemos ter esse tipo de opinião e visão a respeito do evento, o que esperamos das pessoas que não têm? Sejamos realistas, entrada gratuita facilita o acesso de todos, mas o que será que essas pessoas com menos instrução acharam de tudo aquilo? Uma pena eu não ter tido a oportunidade de conversar ao menos com uma delas e colocar aqui a sua visão a respeito da sexta Bienal.

Digo mais: escolas participam todos os anos de exposição, levando os seus alunos para visitarem os espaços, fazendo trabalhos e atividades a respeito. Escolas particulares e públicas. Agora, vejam bem, algumas das amostras que fui, não tinham os guias para explicar de que se tratava o trabalho do artista, mas disponibilizavam textos informativos para sabermos as suas origens e sobre o que se tratava a sua "arte". Outras das amostras que visitei, além de não terem guias para o auxilio, tinham textos informativos escritos em outras línguas.

Para os que têm conhecimento do inglês e espanhol, ótimo. Para os estudantes de escola particular, que têm acesso ao estudo dessas línguas, ótimo. Para quem não tem, será mais um trabalho sem entendimento.

Afirmo que, para mim, foi uma visita cansativa a sexta Bienal do Mercosul, da qual não tive gosto em apreciar as obras nem escrever sobre tais. Não sou entendida de muita coisa, muito menos de arte. Mas sou esclarecida com minhas opiniões e, doa a quem doer, ela acaba de ser dada.

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