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Artista do cotidiano

Por Tailor Reis | Quarta-feira, 14 de novembro de 2007, às 19h59


Jorge Macchi em palestra aberta
em Porto Alegre, dia 24 de outubro.
(Foto: Edison Vara/Pressphoto)

Alterando um conceito que vinha sendo desenvolvido até a sua última edição, a sexta Bienal do Mercosul traz mostras monográficas com uma forma de seleção diferente. Este ano, substituindo o habitual modelo de exposição de artista homenageado, o curador-geral selecionou nomes que representam diferentes momentos da história da arte latino-americana. Foram selecionados representantes da contemporaneidade, de influências dos anos 1960 e do modernismo, para o Curador-Geral da exposição, Gabriel Perez Barreiro. "A tradição de artista homenageado é importante, e achei que deveria conservá-la de algum jeito. Mas, como a metáfora central desta Bienal é a terceira margem, foram escolhidos três artistas, de nacionalidades e gerações diferentes", relata Perez Barreiro, explicando a mudança, em matéria publicada no site oficial do evento.

Artista escolhido para uma dessas mostras monográficas, Jorge Macchi, argentino de Buenos Aires, nascido em 1963, é um dos grandes nomes da arte contemporânea e esta exposição é a primeira visão geral de sua trajetória no continente americano e apresenta, mais de 60 trabalhos produzidos desde o começo dos anos 1990 até a atualidade.

Macchi participou da Bienal do Mercosul de 2003, entre as suas exposições recentes estão participações na Bienal de São Paulo de 2004 e na Bienal de Veneza de 2005, além de uma individual na Universidade de Essex, em 1998. Considerado um dos artistas contemporâneos mais relevantes da atualidade, a obra do argentino se distingue por suas meditações sutis sobre as possibilidades poéticas da vida cotidiana e cobre todo tipo de meio e forma de expressão, desde vídeos até recortes de jornal. Mediador da mostra monográfica exposta no Santander Cultural, Joelson Bugila, define Macchi como um artista que "transforma o trágico em poesia".

Para essa mostra, Macchi produziu uma obra especial em parceria com o artista e maestro Edgardo Rudnitzky e com participação da Ospa - Orquestra Sinfônica de Porto Alegre - intitulada "Fim de Film" a obra traz um imenso telão onde são passados os créditos de um filme com um fundo musical e em uma tela menor é possível acompanhar a orquestra na gravação do fundo.

Macchi começou estudando música e talvez por isso traga tanto em suas obras a presença musical, como é possível acompanhar visitando a mostra. Bugila diz que Macchi é um "músico frustrado" e o artista argentino demonstra isso ao afirmar em uma entrevista publicada na revista online LUGARES, da Fundação Iberê Camargo que, deixou de tocar porque tinha uma dificuldade para ler partituras além de uma "falta de talento para o piano".

O artista declara ainda que existem momentos de tocar que ele gostaria de recuperar no momento em que faz artes visuais. Macchi explica o fato de não temer misturar a música com o seu trabalho, para ele as artes visuais e a música possuem muito em comum. "Há recordações que tenho dos momentos de tocar música que são muito vívidos e que tem que ver com emoção pura, com situações que não se podem reduzir as palavras. Eu posso explicar trabalhos meus. Mas, na realidade, eu acho que os melhores trabalhos são aqueles em que não posso explicar nada. A música, por sua natureza, tem essa característica - é impossível explicar, é forma pura todo o tempo", relata o artista.

A mostra monográfica está localizada no Santander Cultural, rua Sete de Setembro, 1028 no centro de Porto Alegre e as pessoas interessadas em conhecer mais o trabalho do artista tem até o próximo domingo, dia 18 de novembro de 2007, quando também se encerra a sexta Bienal do Mercosul, a exposição reúne obras do argentino produzidas, a partir de 1992 e que pertencem, na maioria, a colecionadores. Apenas algumas obras ainda são do acervo de Macchi.

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