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História da televisão na Feira

Por Thays Leães | Sexta-feira, 9 de novembro de 2007, às 11h54

Bia Braune e o livro Almanaque da TV
(Foto: Thays Leães)

A televisão brasileira tem muitas histórias para contar. Trazida ao Brasil por Assis Chateubriand, nos anos 50, se faz presente em praticamente todos os lares brasileiros e não saiu de moda mesmo com o crescimento da internet, sendo o meio de comunicação mais abrangente do país. A jornalista e roteirista do Vídeo Show, Bia Braune, autora do livro Almanaque da TV, e o professor de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Jairo Ferreira discutiram a trajetória da televisão nos últimos 57 anos.

O Evento faz parte da 53ª Feira do Livro de Porto Alegre e teve mediação da jornalista e apresentadora Cristiane Finger. A discussão foi acompanhada por estudantes de comunicação e pessoas interessadas em saber mais sobre o assunto. A conversa começou com a explicação de Braune sobre o processo de pesquisa para montar o almanaque. A jornalista reclamou da dificuldade de encontrar informações sobre programas que estiveram no ar entre as décadas de 50 e 60, quando ainda não havia a gravação dos programas por vídeo tape. "A única alternativa de pesquisa foram as revistas da época, eram cerca de 3 mil. A gente vivia literalmente em um mar de revistas", lembrou.

A pesquisa foi muito importante para a descoberta de fatos que eram praticamente desconhecidos por falta de registros e organização dos mesmos. Braune descobriu várias curiosidades: "o almanaque contém histórias que nunca foram publicadas em livro. Descobri coisas muito interessantes e programas muito ruins também. Foi um trabalho arqueológico". Após a introdução do assunto através do livro, Ferreira fez uma análise crítica da obra. Cumprimentou a jornalista pelo seu trabalho, afirmando que ele pode ser facilmente utilizado como referência acadêmica, mesmo com seu formato descontraído. Destacou aspectos como os valores que a televisão defendeu através dos anos e o seu papel no desenvolvimento da sociedade.

Durante a conversa, vários fatos televisivos importantes foram lembrados. Entre eles, as primeiras transmissões da televisão a cores: "a pré-estréia da televisão em cores no Brasil se deu na Festa da Uva, em 19 de fevereiro de 1972, aqui no Rio Grande do Sul. O registro oficial data de 31 de março, dia do aniversário do oitavo aniversário do golpe Militar". O agendamento da TV na vida dos brasileiros foi outra pauta, como a coincidência da transmissão da minissérie "Anos Rebeldes" (exibida em 92 que retratou a luta contra a ditadura) e o impeachment do ex-presidente da República, Fernando Collor de Mello. "Será que ali não teve um dedo da televisão?", questionou Braune, insinuando a influência da TV no episódio.

A conversa empolgou e fez os participantes do seminário seguinte ficarem esperando na porta, devido ao atraso no fim da discussão. A mediadora Finger encerrou com uma afirmação que resume a importância da TV na vida dos brasileiros. "Enquanto eu estava fazendo uma matéria, não resisti e perguntei a uma senhora por que ela optou por possuir uma televisão ao invés da geladeira. Ela respondeu que se precisasse assistir TV na casa da vizinha, ela teria que assistir o canal que a dona do aparelho escolhesse e que a geladeira, ela poderia usar uma prateleira à vontade", concluiu.

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