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Um panorama infantil e juvenil

Por Tiago Dias | Sexta-feira, 18 de novembro de 2007, às 18h45

Os primos Victor e Andrei empolgados na Feira => + FOTOS. (Foto: Sabrina Samara)

A Feira, sem dúvida, é um dos eventos mais esperados do ano. Muitas pessoas economizam ou aguardam a época da feira para comprar os seus livros. Os adultos aproveitam para passear com os seus pequenos e incentivar a leitura e o gosto pelas sensações, afinal, como diz o lema deste ano, "Todas as emoções estão aqui".

É como uma orquestra, uma filarmônica que prepara uma sinfonia. Os músicos, os instrumentos, o maestro... Tudo e todos devem estar no seu lugar. Tons e notas afinados, assim as obras da feira vão tomando formas. Regência, arranjos, tons e notas são como a organização do evento. Os graves, agudos e solistas são separados em áreas, como adulto, infantil e juvenil, área internacional e a geral. O público chega a tempo, sempre. Batuta na mão. Está tudo pronto! Começa a ópera, mas nada de tragédia e sim um clima allegro e muito andante.

A Feira é concorrida. Muitas promoções, condições de pagamento especiais, autógrafos, programas de rádio e TV se instalam na praça da Alfândega para não perder nenhum detalhe. E assim se faz a feira, com todo o glamour que esse evento mais que cinqüentenário merece. Mas...

Nem tudo na feira é livro

Os pequenos têm lugar especial no evento. Para eles, uma área inteira com muitas atrações, brincadeiras, teatro, e interatividade, coisas que qualquer criança adora. Para os bem menores, o QG dos Pitocos é o espaço mais apropriado para descontrair e os pais descansarem do corre-corre. Ou não, uma vez que lá os pequenos aproveitam os brinquedos disponibilizados pela organização. Iô-iô, sapata, bambolê, parnas-de-pau, entre outras, são as atrações do local. Para Rosane Castro, arte-educadora e responsável pelo QG, o espaço é especial porque faz com que a aproximação da família seja efetiva. "Os pais interagem com seus filhos, brincando e lembrando da infância", afirma. Ainda, segundo Castro, mais de mil crianças passam diariamente pelo QG, sendo com seus pais ou com a turma da escola.


Bancas apostam no visual para atrair os pequenos leitores

"O debaixo é meu"

Outro personagem que está sempre presente na feira, e que não é livro nem a chuva, é o empurra-empurra. Claro que quando há uma concentração grande de pessoas isso é bastante comum. Ninguém está livre de um pisão no pé. E não adianta ficar bravo, é sem querer. Mas em meio ao cheirinho de pipoca, aos palhaços, aos risos e choros, balões e bonecos da área infantil, uma frase chama a atenção: "Eu vou ganhar o Livro dos Recordes!" E se repete com entusiasmo: "Finalmente! Eu vou ganhar o Livro dos Recordes!". Era Victor Souza, de sete anos, que contava aos quatro ventos que teria o livro de curiosidades. O tão feliz leitor, com sua empolgação, conta que conhece diversas peripécias que acontecem mundo a fora. "Tem um homem que já engoliu um escorpião", diz Victor, que espera há seis meses o livro de presente. Para a mãe, Débora Laurinda, a leitura é muito importante porque "abre os horizontes, a perspectivas da nossa vida. É essencial", comenta.

Além de incentivar, é muito importante acompanhar o crescimento e o desenvolvimento dos filhotes, não descuidando o que eles fazem quando os pais não estão por perto, como quando acessam a internet. Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), realizada no início do ano, aponta que há 1,5 milhão de crianças de 2 a 11 anos, navegando na web. Conversamos com Andrei Machado, oito, primo do Victor, que também é um dos adeptos às novas tecnologias. Ele diz que, quando crescer, quer ser "criador de joguinhos de computador" e usa a internet há mais de três anos. Ele comenta que gostou da feira e quer ganhar um livro em 3D sobre os dinossauros. Isso faz parte da diversidade de assuntos que se pode ter numa tarde na Feira do Livro. Curiosidades à parte, uma coincidência: as mães deles chamam-se Débora. Coisa que só eles e sua árvore genealógica irão explicar.

E tem muito mais

Em meio às obras clássicas e consagradas, há um espaço bastante interessante, onde podemos aprender a ler em Braille. Isabel Oliveira, uma das orientadoras do espaço, demonstra a utilização da máquina de escrever para deficientes visuais. Com agilidade no manuseio, ela pressiona com precisão as poucas teclas que compõe os códigos deste sistema de escrita. Ela garante que é simples e fácil, convidando todos a conferir no local. Saímos de lá com uma lembrança, mas tivemos que decifrar o "bilhete", que dizia, em Braille logicamente: "Estudantes do IPA vieram conhecer o Braille na Feira do Livro de POA. Um abraço da Isabel". Não foi difícil, porque a nossa amiga nos deu uma "cola" com a representação gráfica correspondente as letras do alfabeto.

Além disso, há uma outra atração que chama atenção da maioria dos freqüentadores. É o "Túnel das Sensações", onde os visitantes podem experimentar, através de efeitos visuais, de luz e de sons, sentir e ouvir a natureza pedindo socorro. A exposição mostra a importância e impacto que a cidade e o desenvolvimento da população tem causado nos últimos tempos. "A nossa intenção é mostrar para as pessoas que isso existe, que estas causas existem, que isso está prejudicando o meio ambiente sim, que é preciso parar, mas que também é possível abrigar uma nova consciência na cabeça das pessoas", conta a orientadora do Túnel, Sônia Silva, e ainda comenta que, por incrível que pareça, as pessoas ainda ficam chocadas quando passam pelo túnel. Esse projeto do Greenpeace começou em 2006. A idéia era de ser uma turnê de apenas um mês, mas o sucesso foi tão grande que acabaram viajando o Brasil inteiro. A agenda do Túnel para 2008 está lotada.

A dica é...

Aproveite a Feira e divirta-se com todas as atrações, como shows, teatro, autógrafos, música e muito mais, que ficam até o próximo final de semana no centro da Capital.

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