O roteirista e escritor, Fernando Bonassi, participa da Feira. (Foto: Luís Ventura)
Em sua 53º edição, a Feira do Livro de Porto Alegre, recebe no Santander Cultural filmes nacionais e internacionais, e alguns desses com sessões comentadas por cineastas e convidados. No entanto, a sala do Cine Santander foi reestruturada para a Feira, com poltronas super confortáveis a fim de recepcionar não só cineastas, mas principalmente o público.
No primeiro dia da Feira (sábado - 27/10), o filme Antonia, da diretora Tata Amaral, teve sessão comentada com participação do diretor gaúcho Jorge Furtado e do roteirista Fernando Bonassi, além dela. O longa metragem conta a história de quatro amigas, na periferia de São Paulo, e que acabam enfrentando uma série de dificuldades num cotidiano violento, de pobreza e machismo tudo com o intuito de realizarem os seus sonhos de viver do rap. A sessão de Antonia lotou as dependências do Cine Santander.
Após o término do filme, os cineastas debateram o longa com o público. Os profissionais também comentaram da importância do cinema dentro da programação da Feira do Livro. A diretora Tata Amaral veio a Porto Alegre para lançar o seu primeiro livro de crônicas Hollywood - Depois do Terreno Baldio, onde o escreveu durante a época em que pesquisava sobre Antonia, disse: "É muito legal pra mim que estou lançando um livro e que tem haver com Antonia, poder debatê-lo tão de perto com as pessoas".
O roteirista de Carandiru (2003) e Cazuza - O Tempo Não Pára (2004), e também escritor, Fernando Bonassi falou do tema: "Há uma tradição antiga entre a literatura brasileira e o cinema. É comum que o cinema brasileiro venha adaptando obras literárias a literatura brasileira nos últimos anos". Bonassi acrescenta ainda sobre o mercado de trabalho para os escritores e cineastas: "Isso é uma alternativa de trabalho para os escritores, pois aumenta o patrimônio deles por um lado. E é bom porque assim acaba dando idéias para os cineastas".
Para o diretor Jorge Furtado o momento é importante de tratar o assunto na Feira: "É ótimo, pois é uma oportunidade de trazer o público interessado por livros e que são muito qualificados, para dentro de uma sala de cinema e debater com os autores o cinema brasileiro". Furtado ressaltou a literatura num geral e o crescimento do cinema no país nestes últimos anos: "A literatura brasileira sempre foi muito vigorosa, pois nunca teve tão mal de saúde como o cinema numa época, em que quase parou. Mas nos últimos 15 anos, vem retomando uma produção crescente assim como o público".
O veterinário Alcides Paes, que assistiu ao filme e que participou do debate, fala ser de extrema importância esse contato dos profissionais da área com as pessoas. "O público compreende melhor a reflexão do filme e passa dar atenção as cenas do longa", observa. |