Wenders: "Prefiro lecionar numa escola
de arte a lecionar em uma escola de cinema".
(Foto: José Peixe)
O cineasta alemão Wim Wenders foi o palestrante do Fronteiras do Pensamento, evento que apresenta diversos seminários ao longo do ano na cidade de Porto Alegre. O diretor, que é um dos mentores do chamado Novo Cinema alemão, palestrou segunda-feira, 18 de agosto, no Salão de Atos da UFRGS, e concedeu entrevista coletiva para a imprensa. A AJOR esteve presente na coletiva.
Com um semblante tranqüilo, Wenders disse estar otimista com o novo cenário do cinema mundial. "O cinema é um processo que anda em círculos. Surgem novos movimentos, renascem outros". O cineasta acredita ter hoje uma visão bem menos pessimista do que a que tinha nos anos 80, quando compartilhava, junto com outros cineastas, a idéia de que o bom cinema estava morrendo.
Quanto às novas tecnologias, Wenders diz não ser apegado à película, apesar de gostar dela. "A tecnologia digital expandiu a linguagem e o vocabulário do cinema", conta o diretor. Para ele, o processo digital permite maior liberdade na criação de filmes do que sua geração teve. Além disso, vê a tecnologia digital como o grande propulsor da realização de documentários, gênero que hoje em dia inclusive habita as salas comerciais de cinema.
O cineasta é também professor da Universidade de Hamburgo, onde leciona para alunos do curso de artes. "Prefiro lecionar numa escola de arte a lecionar em uma escola de cinema. Numa escola de arte compreendemos as coisas de forma bem ampla", comenta. Wenders acredita que não há uma fórmula certa para fazer cinema. "Não acredito em receitas, não conheço as regras e nunca segui", completa.
Quando perguntado em relação a suas influências, o cineasta disse que boa parte de seus mentores artísticos foram todos pintores. "Na minha época não tínhamos "pais" no cinema, só "avós", e demorei a conhecer os avós". Sobre suas preferências atuais, o diretor diz que tem gostado muito de filmes chineses, e considera que o cinema europeu também renasceu, produzindo grandes filmes. Quanto ao cinema brasileiro, Wenders comentou que um de seus filmes preferidos é Terra em Transe, de Glauber Rocha, e que atualmente viu todos os filmes de Fernando Meireles e Walter Salles.
Na próxima semana, Wenders presidirá um júri do Festival de Cinema de Veneza, que começa dia 27 de agosto. Não é a primeira vez que ele exerce essa função. No ano de 1989 o diretor também presidiu o júri no Festival de Cannes. Na ocasião o grande vencedor foi o filme Sexo, Mentiras e Videotape, na então estréia do diretor Steven Soderbergh. "A vantagem de ser presidente do júri é que não preciso e não devo conceder entrevistas, apenas concentra-me nos filmes", ressaltou o cineasta. |