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30 anos de Vera Lopes

por Camila de Moraes | Segunda-feira, 11 de agosto de 2008, às 17h33

Vera Lopes: "uma entrega ao desconhecido, sem saber o que está por vir; amar e ser amada pelo personagem e viver sem medo dos obstáculos". (Foto: Divulgação)

A atriz gaúcha Vera Lopes completa neste mês 30 anos de carreira e nesta terça-feira, dia 12, data de apresentação do filme Netto e o Domador de Cavalos, no 36º Festival de Cinema de Gramado, comemora 53 anos de vida.

Ela iniciou na cena teatral com o grupo "Espia Só", de Décio Antunes, em 1978, com a peça o Pulo do Gato, cuja estréia ocorreu, no antigo Teatro do Sindicato dos Alfaiates, em Porto Alegre, na Rua Pinto Bandeira. A partir deste período não parou mais de atuar. Vera Lopes fez diversos espetáculos, incluindo cinema, fotonovela e leitura dramática, além de participar de inúmeros festivais de arte. "A vontade é de trabalhar e qualquer área da representação me atraí", comenta.

Vera Lopes é uma mulher curiosa, intuitiva, apaixonada e mãe de três filhos, como ela própria se descreve. O trabalho mais recente que realizou foi com o grupo "Caixa - Preta", no espetáculo Hamlet Sincrético, do diretor Jessé Oliveira, no qual representava a rainha Gertudes. E, segundo a atriz, foi o trabalho mais intensivo de criação pelo qual já passou, com ensaios diários de quase um ano até a estréia. Inserir os atores negros em seus espetáculos é de praxe para a gaúcha que diz ser maravilhoso trabalhar com pessoas que tem um potencial incrível. Porém, lamenta que não sejam reconhecidas pelo seu trabalho. Por falta de tempo, Vera Lopes teve que fazer uma opção na vida que considera difícil: escolher entre o teatro e os estudos. Atualmente cursa direito e faz recitais poéticos pelo Brasil a fora, "essa é uma maneira para não me distanciar dos palcos", afirma.

O fato de ter três filhos nunca a impediu de seguir na carreira de atriz, pois sempre teve ajuda dos amigos. E relembra seu início no grupo "Espia Só", quando levava o seu filho pequeno para os ensaios e, enquanto fazia os exercícios, as amigas ficavam cuidando e só parava para amamentar. Aos 30 anos de carreira diz que aprendeu a ter menos ansiedade e é mais exigente com o que faz. Para a criação de seus personagens segue as diretrizes dos diretores, do autor e procura pesquisar o cotidiano, no qual esta inserida aquele personagem que, com o tempo, toma vida própria. Trata-se de "uma entrega ao desconhecido, sem saber o que está por vir; amar e ser amada pelo personagem e viver sem medo dos obstáculos". Um dos maiores desafios como atriz negra, prestes a completar 30 anos de carreira, "é enfrentar um mercado restrito e o preconceito com relação à idade". Mas, enquanto puder representar, dará continuidade ao seu trabalho, pois ressalta que "é algo fascinante".

Em relação ao descaso com o ator negro revela, com ironia, que trabalhou muito no cinema como ponta e ressalta: "quando tiver prêmio de ponta eu ganharei". Sua arte de atuar pode ser vista no filme Netto e o Domador de Cavalos, de Tabajara Ruas, no 36º Festival de Cinema de Gramado, com exibição na terça-feira, 12 de agosto, dia do seu aniversário. "Meu presente", brincada a atriz que irá prestigiar a amostra competitiva nesta noite na Serra Gaúcha.

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