Telma Scherer, poetiza e ministrante das oficinas literárias. (Foto: Adreson Sá)
Os amantes de poesia que sempre quiseram aperfeiçoar-se no gênero terão agora uma ótima oportunidade. Inicia no dia 5 de junho, na Casa de Cultura Mário Quintana (CCMQ) um curso literário ministrado pela poetiza Telma Scherer, que pretende auxiliar o desenvolvimento do processo criativo dos participantes.
O curso terá 20 encontros de 2 horas, sempre às quintas-feiras, totalizando 40 horas de atividade. Qualquer pessoa que se interesse por poesia e que deseja vivenciar a prática da criação está apta a se inscrever, sem a necessidade de nenhuma iniciação prévia.
De acordo com Telma, "O intuito das oficinas é oferecer recursos técnicos para os participantes desenvolverem a sua criação, auxiliando no despertar e na qualificação dos seus processos criativos". E complementa: "As oficinas acabam se transformando em usinas de criatividade, aglutinando criadores e estabelecendo redes de troca entre os poetas". A poetisa também que as oficinas contarão com quatro conteúdos principais, os quais abordarão as práticas de composição textual, a partir de exercícios de escrita criativa; a reflexão teórica sobre processos criativos e definições de poesia; a análise das técnicas da poesia, através de textos críticos e poéticos, e a análise construtiva dos textos produzidos.
Segundo a ministrante, todos os tópicos estão relacionados e contribuem para o
desenvolvimento da escrita de cada um. "Cada um vai escolher o seu viés e desenvolver o seu foco particular, apoderando-se dos recursos e das técnicas da construção do texto", completou.
Telma há algum tempo vem promovendo saraus abertos na CCMQ, com o grupo Teia de Poesia, que conta com a participação Diego Petrarca e Lorenzo Ribas. "Os saraus que realizamos com o Teia são muito gratificantes. Temos um público cativo, que se ainda não é numeroso, é muito qualificado".
Porém se o público dos saraus ainda não é tão numeroso, a poetiza acredita que o interesse pela poesia vem até se fortalecendo. "Nesses tempos tão corridos, em que a rotina diária não oferece muitos espaços para reflexão e para o silêncio, a poesia pode ser um jardim", comentou Telma. "A poesia é um espaço de respiro, de silêncio, de voltar a sensibilidade para as coisas mais simples e para dentro de si", completou.
Segundo ela, a poesia contemporânea trabalha abertamente com aspectos sonoros (poesia sonora, letra de música), visuais (poesia concreta), cênicos (performance, poesia falada) e, por isso, tem acompanhado a transição dos tempos, tornando-se tão atual quanto outras artes contemporâneas.
Apesar das oficinas incentivarem a criação e a produção literária particular, alguns poetas servirão como referências para o desenvolvimento das oficinas. Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Mário Quintana, Rainer Maria Hilke, Fernando Pessoa, Allen Ginsberg, Ezra Pound, Roland Barthes, entre outros nomes contribuirão no processo da prática literária.
O quê: Oficina Literária - A Prática da Poesia
Quando: De 5 de junho até 16 de outubro, sempre às quintas-feiras, das 16 às 18 horas
Onde: Sala de Literatura da CCMQ (3º andar)
Quanto: R$ 65 mensais
Inscrições: Acervo Mario Quintana da CCMQ, com Flor pelo fone 3221 7109.
Grupo: Limite de 15 Participantes
Histórico
Telma Scherer é mestra em Literatura Comparada pela UFRGS, bacharel e licenciada em Filosofia. Como ministrante de oficinas de criação literária, iniciou no projeto "Descentralização da Cultura", em 2004. Ministrou várias oficinas, também, para o SESC Santa Catarina, em 2006 e 2007, incluindo o Laboratório de Poesia e Performance e os cursos do Programa SESC de Formação de Escritores.
Desenvolve atualmente oficinas de Haikai (poemas japoneses brevíssimos, de três versos apenas) para o SESC Rio Grande do Sul, em Ijuí. Coordenou o Espaço Educativo da 6ª Bienal do Mercosul e publicou o livro Desconjunto (IEL/CORAG, 2002). Em julho desse ano deve lançar o próximo, Rumor da Casa, pela Editora 7 Letras, RJ.
"Toda a poesia é feita de silêncio, pois sem pausa não há ritmo; e sem ritmo, não há verso".
Haikais de viagem
Vaca solitária
mira o horizonte.
A tarde cai.
Sol no rosto:
nunca o caminho
teve tanto gosto.
Gaúcho da Fronteira:
em minha terra
sou estrangeira. |