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Sem sinais de cansaço

por Uriel Gonçalves | Segunda-feira, 16 de junho de 2008, às 16h17


Chuck Berry: "Naquele tempo estava apenas tentando sobreviver. Era um período que eu tinha que tentar manter um teto na minha cabeça e comida no meu estômago".
(Foto: Divulgação)

Na estrada há mais de 50 anos, Chuck Berry, considerado o pai do rock and roll, é autor dos hits que fazem sucesso como Roll Over Beethoven, Sweet Little Sixteen e Johnny B. Goode, eleita a melhor canção para guitarra da história pela revista Rolling Stone deste mês.

Chuck Berry é visto por muitos como o inventor do Rock and Roll. Compositor, cantor e guitarrista, aos 81 anos se prepara para mais uma turnê e passará por quatro cidades aqui no Brasil, 17 de junho no Rio de Janeiro, dia 18 em São Paulo, dia 20 em Curitiba e dia 21 em Porto Alegre. Portanto, preparem-se para receber uma das maiores estrelas da década de 60 e 70.

O rock de Berry combina blues com música country e letras sobre garotas e carros. Esse tipo de música influenciou nomes consagrados como Elvis Presley, Beatles e Rolling Stones.

O cantor gravou músicas desde baladas românticas ("Havana Moon") até blues ("Wee Wee Hours"), mas foi no recém-nascido rock, que Berry ganhou sua fama. Esta não vai ser a primeira vinda para o Brasil, a última foi em 2002 e diz ter grandes e boas lembranças do país. Em shows anteriores o vocalista gostava de escolher uma banda local para se apresentar no palco com ele, mas dessa vez ele trará consigo seu filho, Chuck Berry Jr., como guitarrista, e sua filha, Ingrid Berry Clay, na gaita e também no vocal. "Vou fazer basicamente o que tenho feito. Tenho algumas coisas novas aqui e ali, mas só de estar aí, de volta ao seu país, com os brasileiros, será o suficientemente para mim." Tocar as mesmas músicas, no entanto, por tantas décadas, não acaba entediando? "Como disse um jogador de beisebol, sobre fazer sempre as mesmas tacadas, isto nunca fica velho, nunca. As músicas antigas viraram clássicos, e o clássico nunca morre, nunca fica velho. Não importa onde você vá, sempre irá ouvir Garota de Ipanema, por exemplo", disse.

Sem lançar um disco de inéditas há mais de 20 anos, Chuck Berry continua a repetir que um novo álbum já está para sair. Para os shows no Brasil, ele prometeu algumas músicas novas, sem dizer nem quantas nem quais serão. "Sabe, as pessoas não vêm para ver Chuck Berry cantando Michael Jackson ou hip-hop".

O músico diz lembrar de quando compôs Johnny B. Goode, uma época cheia de altos e baixos. "Naquele tempo estava apenas tentando sobreviver. Era um período que eu tinha que tentar manter um teto na minha cabeça e comida no meu estômago."

O vocalista protagonizou momentos célebres no Brasil quando entrou sozinho no palco deixando a banda para trás ou quando convocou uma banda de músicos de MPB, sem nenhuma intimidade com o rock. No início de 1990 usou a guitarra Gibson, de Marcelo Nova para fazer dois shows. Mas um dos momentos mais incríveis aconteceu quando ele deixou dois jovens invadirem o palco para dançar Johnny B. Goode. "É muito especial estar no Brasil e as pessoas quererem se juntar a mim no palco, não só por causa da música, mas para estar comigo, porque estamos falando da minha música dos anos 50, que ainda tem esse efeito nas pessoas que nem eram nascidas quando ela foi lançada".

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