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Antígona BR

por Camila de Moraes | Sexta-feira, 11 de abril de 2008, às 12h05

A linguagem tem como base a transposição de códigos da cultura afro-brasileira.
(Foto: Bruno Gomes)

Nova montagem do premiado Grupo Caixa-Preta estréia dias 29 e 30 de abril, com grande elenco, no Theatro São Pedro Antígona BR é a nova aposta do diretor Jessé Oliveira (indicado ao Tibicuera 2007 de melhor direção por Canto de Cravo e Rosa) e do Grupo Caixa-Preta. O sincretismo cultural é, novamente, o pano de fundo para a recriação de um clássico da dramaturgia, 'Antígona', de Sófocles, fundida com 'Sete contra Tebas', de Ésquilo, sendo utilizadas também passagens de outras tragédias como 'Édipo Rei' e 'Édipo em Colono', do mesmo autor. O espetáculo teatral estréia dias 29 e 30 de abril, terça e quarta-feira, às 21h, no Theatro São Pedro. Os ingressos já estão à venda na bilheteria do TSP (confira horários e preços no Serviço).

Os elementos da cultura afro-brasileira, tão bem retratados em Hamlet Sincrético - obra basilar do Grupo -, são, agora, aprofundados, reafirmando a presença de uma estética de matriz africana. A nova montagem foi contemplada com o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz / 2007. No elenco estão Glau Barros, Silvio Ramão, Éder Santos, Adriana Rodrigues, Leandro Daitx, Wagner Santos, Josiane Acosta, Silvia Duarte, Ravena Dutra, Flávio Oya Tundê, Lucila Clemente e Diego Neimar. A dramaturgia é assinada por Viviane Juguero e a direção musical é de Luiz André da Silva.

Nesta montagem, os elementos da cultura afro-brasileira servem de metáforas que traduzem à narrativa da peça, em que os gestos, os ritos e os mitos de origem africana contribuem para a compreensão da peça, ao mesmo tempo em que, criticamente, comentam a realidade de uma maneira diferente da tradicional discussão verbal das questões raciais. Na peça, esta é potencializada pelos signos afro-brasileiros dos cultos aos orixás, da capoeira, do catolicismo popular, e outras manifestações que marcam a influência negra na cultura brasileira, sem ser tratada apenas como folclore.

A luta de Antígona com o tio Creonte, de Etéocles com Polinice e todos os conflitos entre os personagens traduzem o conflito de identidade e a perda da identidade ou a auto-negação. O coro representará os velhos e será uma metáfora dos Griot e Negras Minas, ou seja, a tradição da oralidade e dos antepassados que servirão como costura das cenas, comentando os acontecimentos.

A linguagem desenvolvida tem como base a transposição de códigos da cultura afro-brasileira para contar uma história. Alguns personagens utilizados em Hamlet Sincrético estarão presentes. 'Isto, obviamente, não é uma casualidade, mas uma maneira de comprovar a tese de que se podem contar muitas histórias utilizando os mesmos referenciais', comenta o diretor Jessé Oliveira ('Sobre Anjos e Grilos').

O Grupo Caixa-Preta

Busca uma nova abordagem da teatralidade produzida por atores negros. Surgiu no cenário gaúcho em 2002, tendo, em pouco tempo, se tornado um dos mais importantes grupos de teatro do RS. Realizou os espetáculos: 'Transegun', de Cuti (2003), 'Hamlet Sincrético' (2005), baseado na obra original de William Shakespeare, e o monólogo'Madrugada, me Proteja' (2007), de Cuti, protagonizada pelo ator Silvio Ramão. Com 'Hamlet Sincrético', o grupo conquistou Prêmio Florêncio de Melhor Espetáculo Teatral de 2007 - Categoria Espetáculo Estrangeiro concedido pela Associação de Críticos Teatrais do Uruguai. Também mereceu, em 2006, o Prêmio Açorianos de Teatro na categoria Trilha Sonora (além de cinco indicações) e o Troféu RBS de Melhor Espetáculo, concedido pelo júri popular.

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