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Alberto Amaral fala sobre reorganização do ensino superior europeu

Reitora Adriana Menelli e professor Alberto Amaral |

O professor Alberto Amaral foi o palestrante da segunda edição do Seminário de Pesquisa do Centro Universitário Metodista, do IPA, com o tema “Universidade e o Processo de Bolonha”, na tarde desta segunda-feira (16/06), no auditório Elizabeth Lee, da Unidade Americano. Atual diretor do Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior (CIPES) de Portugal, o convidado apresentou uma visão crítica do chamado Processo de Bolonha, acordo que tem o objetivo de reorganizar o ensino superior na Europa.

O Processo de Bolonha é um documento assinado em 1999, por ministros da Educação de 29 países, que visa a tomada de ações conjuntas para o ensino superior dos países pertencentes à União Européia, a fim de elevar a competitividade internacional do sistema europeu do ensino superior e assegurar que este adquira um grau de atração mundial semelhante ao das suas tradições cultural e científica. Atualmente, 46 países participam do processo.

Alberto Amaral explicou que o acordo adota um sistema baseado em ciclos de estudos, sendo o primeiro ciclo (licenciatura), com a duração mínima de três anos, e o segundo (mestrado) com a duração de um ano e meio a dois, totalizando cinco anos de formação. Estabelece, ainda, um sistema de créditos transferíveis e acumuláveis (ECTS), comum aos países europeus, para promover a mobilidade (acesso às oportunidades de estudo e formação) de estudantes, professores, pesquisadores e técnico-administrativos, além de promover a cooperação européia na avaliação da qualidade do ensino superior.

Segundo Amaral, ex-reitor da Universidade do Porto, “o que está por trás de Bolonha são os problemas dos salários europeus muito elevados, agravados pelo que resta do sistema da Previdência, os quais prejudicam a posição da Europa no novo sistema de competição econômica global”. O palestrante sustentou que Bolonha vai permitir, por um lado, diminuir os custos de mão-de-obra, e por outro, fazer baixar os encargos públicos com o Ensino Superior, de forma bem mais eficaz do que um simples aumento das taxas e mensalidades”.

O professor chamou a atenção para a substituição crescente do termo “emprego” por “empregabilidade”. Ou seja, o primeiro ciclo de estudos, com relevância para o mercado de trabalho, será financiado pelo Estado. Contudo, serão os estudantes a pagar o ensino pós-graduado (2º ciclo) como forma de ele próprio zelar pela sua empregabilidade.

Longo processo

A meta europeia para o pleno funcionamento do estabelecido pelo Processo de Bolonha está prevista para 2010, mas Alberto Amaral não duvida que o processo será “muito longo”. Segundo o professor, “o tempo político é mais curto que o tempo acadêmico” e serão necessários vários ajustes até à concretização do acordado em Bolonha. “Os primeiros resultados vão acontecer só daqui a uns 25 anos”, acredita.

A palestra “Universidade e o Processo de Bolonha” também teve a presença da reitora do Centro Universitário Metodista, Adriana Menelli de Oliveira, e da professora Marília Morosini (PUCRS), como debatedora. A coordenação do seminário foi do pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação do IPA, Edgar Zanini Timm.

Jornalista responsável: Gerson Brisolara
Fotos: Tiago Dias

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